segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Ex - nada é, tudo está

Um dia um estranho se tornou alguém próximo.  Não é uma coisa EXtranha? Alguém com quem ja se teve intimidade, com quem ja se compartilhou segredos... do corpo, da alma, do sentimento, e que num  determinado momento começa a mudar,  distanciar,  e a gente não sabe como,  volta a ser estranho. O estranho mais íntimo que existe.
Ficam as promessas. Ficam as lembranças, algumas leves, algumas nem tanto. 
O que era amor vira um sentimento brando, híbrido, não-identificado, empoeirado no sótão da razão.
O que era só emoção cede. A razão dá as cartas e as respostas.
O tempo é um senhor paciente.  Capaz de moldar as memórias, apaziguar conflitos, nos fazer beber da poção mágica do discernimento.
Uma porção doce de distanciamento nos faz perceber quem somos.  Os motivos das decisões.  Não é fácil. Mas como saber de nós mesmos, sem se comparar com o outro...
Olhar pra dentro e saber o que se sente começa com a dúvida daquilo que se sente. E inúmeras vezes essa dúvida começa a partir do outro.