quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Carta para quem amou em 2015

Este não foi um ano fácil, é verdade. Talvez porque tenha sido a própria contradição: demorou, ao mesmo tempo em que voou. E, já que a felicidade é estar onde se está (nem pensando em como será o futuro, nem vivendo do que foi o passado), você pode se sentir orgulhoso. Amor é entrega e é preciso coragem para abrir mão do medo. Quem amou em 2015 pode terminar o ano feliz.
Mesmo aqueles que amaram por uma hora. O ano tem mais de 8 mil horas, mas se uma delas foi de amor intenso – mesmo cego, mesmo burro, mesmo calado – valeu a pena. Porque amor não depende de tempo para ser eterno: se durou 15 minutos ou uma vida é amor, é o mesmo amor.
Também já pode sorrir quem sofreu de amor. Porque isso significa que amou. E amar sempre vale repetir, é um presente. Sofrer de amor faz de nós mais humanos, menos exigentes com a vida e mais certos de que não importa o sofrimento que vai chegar depois: viver é sobre se permitir arriscar.
Termine o ano leve se você ainda ama. Se amou a mesma pessoa desde janeiro, você venceu a pior das armadilhas da rotina: fazer com que o amor se torne tão banal quanto o café da manhã ou o beijo de boa noite. Exercitar o amor é amar sem medidas.
Ter amado mais a si mesmo também é motivo de festa. O convívio mais difícil é o único que não podemos evitar. Relacionamentos terminam, amizades se diluem, paixões esfriam. Mas olhar no espelho é todo dia. Ser gentil consigo e se perdoar é todo dia. Se você conseguiu encarar os seus olhos e sentir verdade no que viu e tem a sensação de estar mais perto de você do que no último réveillon, comemore.
Celebre o amor que sentiu pelos seus amigos. Todas as vezes que se apaixonou pela personalidade de alguém que jamais imaginou gostar, as gargalhadas que dividiu com desconhecidos cúmplices, os carinhos que recebeu depois da saudade quase te afogar. Cada garfada de um prato feito com carinho, todo presente que ganhou sem esperar, as energias positivas que se permitiu mandar para alguém que não esperava. As conquistas suadas de todos os dias, a alegria que sentiu pela promoção de um colega, a sombra que traz um pouco de alívio no calor.
Comemore, sobretudo, se você entendeu que amor não é um relacionamento. É um sentimento que faz tão bem a quem emana quanto a quem recebe. Amor é um jeito de ver a vida que às vezes se confunde com o jeito que vemos alguém. Ainda bem.
Projeto “Tipo Essa” transforma letras de músicas em cartazes tipográficos;:
Imagem: Pinterest

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Amor compartilhado

Eu queria te dizer muitas coisas.
Mas não queria que soasse como DR...
Pq não há R.
São apenas encontros.
E eu queria que você soubesse que é só isso que eu espero..
Não é que eu não queira um relacionamento... mas sei que não deve ser com você.
Ou talvez ainda não esteja realmente pronta.
(Será que se eu dissesse isso pessoalmente...
Não, certamente soaria rude...
mas acho que seria muito verdadeiro.)
Você transparece que quer estar solteiro,
que quer curtir com os amigos..
Então tudo bem pra mim.
Não nego a atração física e temos sorte se isso existe
pq não é assim tão fácil quanto dizem.
Não é com todo mundo.
Eu deixo livres aqueles que se aproximam de mim
para ir e vir.
Mas por favor, quando estiver por perto,
gosto de Olá com sorriso verdadeiro por me encontrar.
Gosto de abraço apertado.
Gosto de Adeus que já digam "saudades..."
Não aceito promessas de reencontros se elas forem vazias.
Isso não é necessário.
Quero apenas a certeza de ter vivido um momento bom.
Não é difícil.
É um encontro. Esteja presente.
Com uma pitada de safadeza e outra de amor.
Era só isso que eu queria te dizer.
Tenho muito amor...
Mas ele é mais meu do que seu.
Ainda assim, gosto de compartilhar.

domingo, 6 de dezembro de 2015

#ripMariliaPera

Dona de uma das vozes mais lindas que já ouvi, mais inconfundíveis da arte brasileira..
‪#‎RIPMaríliaPêra‬
Amar - Drummond
Que pode uma criatura senão entre criaturas, amar?
Amar e esquecer?
Amar e malamar
Amar, desamar e amar
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
Sozinho, em rotação universal,
se não rodar também, e amar?
Amar o que o mar trás a praia,
O que ele sepulta, e o que, na brisa marinha
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amor inóspito, o áspero
Um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte,
e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este é o nosso destino:
amor sem conta, distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor
Amar a nossa mesma falta de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito e a sede infinita.